1. Estrutura Preliminar a Apresentação do Sermão
1.1 Quebra-Gelo e Conexão Inicial
Quando a verdade eterna das Escrituras é entretecida com a sensibilidade às fragilidades humanas, o Espírito Santo encontra um canal aberto na mente dos ouvintes, transformando a mera proclamação teórica em um encontro transformador com a Palavra viva de Deus.
Quantas vezes você se pegou contemplando as incertezas da vida com um sentimento opressivo de solidão? O medo do abandono, a dor lacerante do luto, o colapso repentino de estruturas financeiras ou familiares e a sufocante ansiedade em relação ao amanhã são sombras que perseguem a humanidade em todas as gerações. Vivemos em uma sociedade fragilizada por promessas humanas sistematicamente quebradas e por filosofias efêmeras que desmoronam à primeira tempestade. Por isso, a vida humana clama por uma ancoragem inabalável, um empenho de palavra vindo de Alguém cuja autoridade soberana transcende a história, o sofrimento e a própria morte. É em busca dessa garantia divina que voltamos nossos corações para a leitura da Palavra Sagrada no Evangelho segundo João14:1 a 3 - ACF:
"Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." (João 14:1–3, ACF).
1.2 Ficha Homilética de Identificação
A articulação prévia dos pilares homiléticos atua como um mapa conceitual e espiritual que assegura a fidelidade exegética, a clareza didática e a precisão pastoral ao longo de toda a exposição. Delimitar com rigor o título, o texto sagrado, o tema, a tese central e o objetivo espiritual previne digressões alegóricas e desvios secundários, mantendo a igreja focada no propósito salvífico da revelação de Cristo.
2. Introdução e Contextualização
2.1 Cenário Histórico-Literário de João 14
Para mensurar o impacto teológico e a carga emocional de João 14, é preciso adentrar o ambiente solene do Cenáculo nas horas que antecediam o aprisionamento e a crucificação de Jesus. A atmosfera daquele aposento alto estava impregnada de densa perplexidade e angústia. O Mestre acabara de lavar os pés dos discípulos, revelando a natureza do serviço divino, mas também fizera anúncios perturbadores: revelara que seria traído por um de Seus íntimos, advertira que Pedro O negaria três vezes naquela mesma noite e, acima de tudo, declarara que estava prestes a partir para um lugar onde eles não poderiam segui-Lo de imediato.
Para aqueles doze homens que haviam abandonado redes de pesca, banca de impostos, lares e meios de subsistência para seguir o Messias durante três anos intensos, a perspectiva da partida do Senhor soava como o colapso de suas esperanças messiânicas e a iminência do desamparo absoluto. Suas mentes estavam terrivelmente confusas, pois ainda não compreendiam a necessidade da cruz nem o mistério da redenção substitutiva. Seus corações viam-se ameaçados pelo pavor da solidão e pelo luto antecipado. Foi exatamente nesse contexto de pavor e incerteza que Jesus ergueu Sua voz amorosa para administrar o antídoto celestial. Ele não ignorou a dor de Seus amigos; antes, ofereceu a promessa do lar eterno como a única âncora capaz de sustentar a fé em meio à tempestade da provação.
2.2 Relevância Espiritual e Pergunta Central
A aflição que envolveu os discípulos no Cenáculo reflete com precisão as crises existenciais que paralisam o ser humano contemporâneo. A promessa de João 14 cruza os séculos e fala diretamente à mente moderna, devastada pela ansiedade crônica, pelo pavor da finitude e pelo desespero diante de um mundo em desagregação moral e física. As pessoas continuam tateando no escuro em busca de pertencimento e consolo contra o luto. A mensagem de Cristo aos Seus apóstolos é o remédio definitivo para a fragilidade da nossa existência, pois reorienta os nossos olhos da insignificância do tempo presente para a glória inabalável do Reino vindouro.
Pergunta Central do Sermão
"Como a promessa da Segunda Vinda de Jesus transforma a nossa ansiedade presente em uma esperança inabalável e vitoriosa?"
Conduzidos por esse questionamento vital, passamos agora ao exame detalhado e expositivo de cada versículo do nosso texto sagrado.
3. Corpo do Sermão
3.1 Ponto I: Não se Turbe o Vosso Coração - A Cura para a Ansiedade Humana (João 14:1)
Análise do Verso
A exposição bíblica inicia-se com o imperativo compassivo de Cristo registrado no versículo 1: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim."
Exegese e Análise Lexical
A análise exegética da expressão "Não se turbe" expõe a profunda riqueza teológica da ordem do Senhor. No texto grego, o verbo utilizado é tarassō (ταράσσω), estruturado no imperativo presente passivo com a partícula de negação (mē tarassesthō). Essa construção gramatical não sugere apenas a proibição de um sentimento futuro, mas ordena categoricamente a interrupção de um estado de perturbação e agitação interna que já estava em andamento no coração dos discípulos. O vocábulo tarassō evoca a imagem da água violentamente açoitada por uma tempestade, a perda do equilíbrio interior, o tumulto e o pavor da vida sob o impacto do medo. Jesus está dizendo amorosamente: "Parem de permitir que os vossos corações continuem a ser açoitados pela tempestade da ansiedade!"
Em direta oposição à agitação de tarassō, Jesus apresenta a receita espiritual mediante o verbo pisteuō (πιστεύω - crer, confiar, depositar fé viva e perseverante). A sintaxe grega (pisteuete eis ton Theon, kai eis eme pisteuete) constrói uma estrita equivalência teológica entre a fé depositada em Deus, o Pai, e a fé exigida em Jesus Cristo, o Filho. Ao colocar a confiança na Sua própria Pessoa no mesmo patamar da fé no Pai celestial, o Salvador afirma Sua divindade absoluta e declara que a fidelidade imutável do Criador é a garantia da veracidade de Suas promessas. A cura para o desassossego humano não é encontrada em técnicas de autoajuda ou no otimismo humano, mas na transferência consciente e total da nossa confiança para a Pessoa invencível de Cristo.
Conexão Cristocêntrica e Teológica Adventista
Cristo revela-Se aqui como a única rocha de refúgio contra o desespero existencial. Na teologia, entendemos que o desassossego da vida é o resultado direto da alienação causada pelo pecado e das investidas do arqui-inimigo contra a paz dos remidos. No livro A Ciência do Bom Viver (Capítulos 4 e 5), Ellen G. White descreve com profundidade o poder restaurador da fé genuína. A autora esclarece que a fé salvadora não se resume a um mero assentimento intelectual às doutrinas, mas consiste no contato vivo pelo qual a pessoa recebe a Cristo como Salvador pessoal e alinha a vontade humana com o poder onipotente de Deus.
Na análise da narrativa da cura do paralítico de Cafarnaum (A Ciência do Bom Viver, Cap. 5, pp. 42–45), demonstra-se como a enfermidade física e o colapso emocional estão frequentemente entrelaçados ao fardo sufocante da culpa e da dor espiritual. O paralítico ansiava antes pelo perdão do que pela restauração do corpo. Sabendo disso, o Mestre ministrou primeiramente a cura espiritual, removendo a culpa mediante a graciosa declaração: "Filho, tem bom ânimo; perdoados te são os teus pecados" (p. 43). Do mesmo modo, o toque da fé vitoriosa (A Ciência do Bom Viver, Cap. 4, pp. 33–35) extrai de Cristo a virtude vivificante que envolve a pessoa, dissipando o pavor e operando a restauração integral do ser. Onde a presença de Cristo é recebida com fé sincera, o desassossego cede lugar à serenidade do Céu.
Lição Prática e Pergunta de Reflexão
Em nosso cotidiano, somos continuamente expostos a boletins médicos assustadores, instabilidade financeira e rupturas relacionais que ameaçam abalar nossas estruturas (tarassō). A ordem de Jesus exige uma decisão diária da vontade: recusar o alimentador da ansiedade mediante o olhar fixo nos problemas ou exercer a fé viva (pisteuō) que deposita cada inquietação nas mãos dAquele que governa o universo.
Em que área da sua vida o seu coração tem se deixado agitar pela ansiedade, e de que maneira prática você pode, hoje mesmo, exercitar a fé viva que transfere esse fardo para as mãos de Jesus?
Essa paz interior e inabalável que recebemos pela fé no Salvador encontra o seu verdadeiro fundamento na certeza de que nossa existência presente é apenas uma peregrinação, cujo destino final é o lar eterno preparado pelo próprio Deus.
3.2 Ponto II: Na Casa de Meu Pai Há Muitas Moradas - A Certeza de um Lar Eterno (João 14:2)
Análise do Verso
Aprofundando a revelação do consolo divino, o Senhor declara no versículo 2: "Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar."
Exegese e Análise Lexical
A expressão "Casa de meu Pai" (oikia tou patros mou) ressoa a linguagem da aliança bíblica e do ambiente familiar oriental, simbolizando acolhimento supremo, segurança inviolável e comunhão ininterrupta. O vocábulo grego traduzido por "moradas" é monē (μονή), substantivo derivado do verbo menō (permanecer, habitar, morar). No grego koiné, monē denota uma habitação permanente, um lar definitivo, uma moradia estável. Jesus estabelece um contraste deliberado e reconfortante entre as tendas e habitações terrenas, caracterizadas pela fragilidade, incerteza e efemeridade e as moradas celestes, que são eternas e inabaláveis.
O Salvador valida a veracidade indiscutível de Sua promessa com uma asserção solene: "se não fosse assim, eu vo-lo teria dito". Essa frase destaca a integridade impecável do Seu caráter divino. Jesus nunca iludiu Seus seguidores com falsas utopias ou consolos vazios; Ele revela a realidade como ela é. Além disso, o verbo que descreve Sua ação futura "Vou preparar-vos lugar" (hetoimasai topon) expressa o Seu desígnio soberano e o Seu cuidado providencial. Ele não apenas nos convida para o Seu Reino, mas se empenha pessoalmente na preparação da nossa habitação eterna.
Conexão Doutrinária e o Grande Conflito
O ato de Cristo de "ir preparar lugar" carrega um significado soteriológico vital na teologia do Santuário Celestial e na compreensão do desfecho do Grande Conflito. Ao ascender aos céus, Jesus adentrou o Santuário Celestial como nosso Sumo Sacerdote e Intercessor. A preparação do lugar envolve o exercício do Seu ministério mediador, a aplicação dos méritos do Seu sangue expiatório e a fase final do plano da redenção, culminando na vindicação do caráter de Deus e no julgamento que antecede a Sua vinda.
No livro A Ciência do Bom Viver (Capítulo 7, "A cooperação do Divino com o humano", p. 75/76), Ellen G. White destaca que as promessas das Escrituras Sagradas são "folhas daquela árvore que é 'para a saúde das nações'" (Apocalipse 22:2), possuindo um poder restaurador incomparável para a mente humana. Paralelamente, no Capítulo 18 ("A cura mental", p. 168), a autora ensina que o verdadeiro repouso da mente se estabelece quando firmamos a esperança na restauração final promovida por Deus. Enquanto o grande conflito assola a Terra com guerras, perdas de lares e dolorosas separações, a obra mediadora de Cristo garante que a nossa cidadania celestial permanece intacta, reservada e perfeitamente segura nas cortes do Pai.
Lição Prática e Pergunta de Reflexão
Para aqueles que enfrentam o desgosto de ter seus lares terrenos destruídos por tragédias, para os que vivem na condição de peregrinos e refugiados ou para os que choram a perda de entes queridos que adormeceram no Senhor, a promessa da morada permanente sopra um alento celestial. Os sofrimentos do tempo presente não se comparam à glória do lar que nos está reservado.
De que maneira a certeza de que Jesus está preparando uma morada permanente e inviolável para você no Céu altera a sua postura diante das perdas, decepções e limitações desta vida terrestre?
Contudo, a beleza do lugar preparado só atinge a sua plenitude através do regresso vitorioso e visível dAquele que o preparou.
3.3 Ponto III: Voltarei e Vos Receberei para Mim Mesmo – A Promessa Suprema da Segunda Vinda (João 14:3)
Análise do Verso
A exposição bíblica alcança o seu clímax soteriológico no versículo 3: "E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também."
Exegese e Análise Lexical
A declaração de Jesus "virei outra vez" traduz a expressão grega palin erchomai (πάλιν ἔρχομαι). O advérbio palin ("outra vez", "de novo") estabelece uma paralela histórica e literal direta com a Encarnação. Da mesma forma arquetípica, física e visível como Ele veio a primeira vez a este mundo para oferecer o resgate pelos pecadores na cruz, Ele retornará pessoalmente e em glória consumada na Sua Segunda Vinda. O uso do verbo no presente do indicativo (erchomai - "venho"/"virei"), empregado em lugar do futuro, confere à promessa uma certeza matemática e uma iminência absoluta. Na mente soberana de Cristo, o Seu regresso não é uma mera possibilidade, mas um decreto divino irrevogável.
Ainda mais extraordinária é a profundidade do termo "vos receberei para mim mesmo" paralēmpsomai pros emauton (παραλήμψομαι πρός ἐμαυτόν). O verbo paralambanō significa tomar junto de si com afeto profundo, acolher em íntima comunhão. A preposição pros ("para junto de"), combinada com o pronome reflexivo emauton ("mim mesmo"), assinala o nível mais elevado de comunhão pessoal e intimidade face a face. O objetivo supremo do retorno de Jesus não é simplesmente demonstrar majestade cósmica ou julgar os ímpios, mas promover a reunião definitiva do Noivo com a Sua Noiva (a Igreja remida). A razão final do regresso de Cristo é a erradicação eterna da separação: "para que onde eu estiver estejais vós também".
Conexão Cristocêntrica e Doutrina Adventista
A esperança da Segunda Vinda de Cristo é a espinha dorsal e a própria razão de ser da fé adventista. Não alimentamos a ilusão de que a sabedoria humana, a política ou a tecnologia construirão um utópico reino de paz nesta Terra decaída. Aguardamos o cumprimento literal da promessa do Senhor. Diante das incertezas do tempo do fim, encontramos refúgio no conselho histórico registrado nos escritos de Ellen G. White em Conselhos para a Igreja (p. 316 / Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 162):
"Nada temos que recear quanto ao futuro, a menos que esqueçamos a maneira em que o Senhor nos tem guiado, e os ensinos que nos ministrou no passado."
Essa declaração inspirada nos recorda que as vitórias do Senhor na história do Seu povo no passado são a garantia inviolável do nosso triunfo futuro. Aquele que dividiu o Mar Vermelho, que venceu a sepultura na manhã da ressurreição e que sustentou a igreja através dos séculos é o mesmo Rei que rasgará os céus para resgatar os Seus filhos.
Lição Prática e Pergunta de Reflexão
A promessa do regresso de Jesus atua como o motor da santificação diária e o incentivo supremo para a nossa perseverança diante das provações. Viver na expectativa do palin erchomai purifica os nossos afetos morais, reorienta nossos investimentos de tempo e recursos e nos motiva a proclamar com urgência a mensagem do evangelho a cada tribo, língua e povo.
Se o Senhor Jesus retornasse hoje nas nuvens do céu, o seu coração transbordaria com a alegria indescritível do reencontro ou seria tomado pelo pavor da despreparação espiritual?
Ao sintetizarmos o percurso expositivo destes três versículos, contemplamos a perfeita engrenagem do consolo divino: o versículo 1 nos concede o remédio contra a ansiedade; o versículo 2 garante a segurança de um lar eterno; e o versículo 3 sela a nossa esperança com a certeza do regresso glorioso do nosso Redentor.
4. SÍNTESE DOUTRINÁRIA E MATRIZ DE LIÇÕES PRÁTICAS
4.1 Implicações Doutrinárias e Teológicas Adventistas
A exegese criteriosa de João 14:1-3 sustenta as colunas fundamentais da teologia bíblica adventista, entretecendo a escatologia com a soteriologia e a cosmovisão do Grande Conflito:
- A Doutrina do Santuário Celestial e a Purificação (Daniel 8:14): A declaração de Cristo de que iria "preparar lugar" (hetoimasai topon) liga-se diretamente à Sua ascensão e entrada no Santuário Celestial. Lá, no Lugar Santíssimo, Ele desempenha a Sua obra de intercessão e juízo investigativo (iniciado ao fim das 2.300 tardes e manhãs de Daniel 8:14), purificando o Santuário, vindicando o caráter justo de Deus perante o universo e preparando o cenário escatológico para a erradicação final do pecado.
- A Justificação pela Fé como Fundamento da Paz: Ao emitir a ordem "credes em Deus, crede também em mim", Jesus posiciona o mérito da salvação e da tranquilidade da pessoa exclusivamente na Sua Pessoa. A justiça imputada e concedida ao pecador arrependido mediante a fé é a única credencial legítima que nos garante acesso às moradas eternas, eliminando categoricamente todo o moralismo, soberba ou autossuficiência humana.
- A Esperança do Remanescente e a Vitória sobre o Dragão: A promessa da Segunda Vinda literal representa o clímax da vindicação dos santos na controvérsia entre Cristo e Satanás. O povo remanescente extrai da veracidade da Palavra de Deus a resiliência espiritual necessária para permanecer fiel nos últimos dias da história humana, convicto de que a dor, a opressão e a morte serão definitivamente tragadas pela vitória do Rei dos reis.
A assimilação profunda dessas verdades doutrinárias não pode permanecer restrita à especulação teórica; ela deve necessariamente moldar a práxis da vida cristã diária.
4.2 Matriz de Aplicações Práticas e Espirituais
A verdade da Palavra de Deus reivindica a transformação integral da conduta do crente, moldando o caráter humano segundo o padrão imaculado de Cristo.
5. CONCLUSÃO, FRASE MARCANTE E APELO PASTORAL
5.1 Síntese Homilética e Cristocêntrica
Ao recapitularmos os tesouros espirituais contemplados em João 14:1-3, a tese deste sermão brilha com claridade inquestionável: a Segunda Vinda de Jesus é a resposta definitiva do Amor Divino para a dor, a solidão e a ansiedade da humanidade. No versículo 1, fomos ensinados por Cristo a cessar a agitação do coração (tarassō), substituindo o pavor pela fé inabalável (pisteuō) no Pai e no Filho. No versículo 2, fomos consolados com a certeza de que a nossa existência terrena não caminha para o vazio; o nosso Sumo Sacerdote está preparando moradas permanentes (monai) na Casa do Pai. E no versículo 3, recebemos o penhor inabalável de que o mesmo Jesus que subiu aos céus retornará de forma literal e gloriosa (palin erchomai) para nos acolher junto a Si (pros emauton), inaugurando a eternidade de comunhão direta entre o Criador e os Seus remidos. Em Cristo, a ansiedade humana encontra a cura; na Sua promessa, a mente encontra um lar; e no Seu regresso, a pessoa encontra a vida eterna.
"Aquele que prometeu preparar o nosso lugar já preparou o nosso resgate; não olhe para a tempestade da terra, olhe para a promessa do Céu!"
5.2 Apelo Espiritual Pastoral e Oração Final
Meus amados irmãos e amigos, a promessa de Jesus que examinamos hoje não é uma alegoria poética ou um mito distante; é o compromisso de honra do Deus Todo-Poderoso, que não pode mentir. Talvez você tenha entrado neste santuário trazendo um coração profundamente agitado (tarassō), oprimido pelo diagnóstico de uma enfermidade, pela dor avassaladora de um luto recente, pelo colapso de uma relação familiar ou pela sufocante ansiedade em relação ao amanhã. O mesmo Salvador que acalmou o Mar da Galileia e que confortou os apóstolos no Cenáculo está presente neste lugar pelo Espírito Santo. Ele Se aproxima da sua mente neste instante e pergunta com infinita compaixão: "Queres ficar são?"
O convite de Cristo neste momento exige uma resposta de fé. Ele pede que você renuncie à tentativa esgotante de carregar sozinho os seus fardos, que abandone o pecado que destrói a sua paz e que descanse inteiramente na veracidade de Sua Palavra. Se você deseja abrir a porta do seu coração para Jesus agora, recebendo o Seu perdão, permitindo que a Sua paz cure a sua ansiedade e renovando a sua fé na promessa de que muito em breve Ele voltará para buscá-lo, eu convido você a orar, onde você está, como um ato público de entrega e aliança com o Senhor.
Oremos juntos.
"Soberano e Eterno Deus, nosso Pai celestial, curvamo-nos reverentemente diante do Teu trono de graça com corações transbordantes de gratidão e fé. Teu Espírito Santo conhece as lutas secretas, as dores e as ansiedades de cada filho e filha que se colocou na Tua presença nesta hora. Agradecemos-Te pela promessa inabalável registrada em João 14:1-3, que ilumina as trevas deste mundo com a esperança do Céu.
Pedimos-Te, Senhor Jesus, que a Tua autoridade divina repreenda agora toda a agitação, o medo, o desespero e o peso da culpa dos nossos corações. Que a fé viva na Tua justiça imputada traga cura e repouso à mente de Teus filhos. Escreve em nossas mentes a certeza de que o nosso lar eterno está preparado e de que muito em breve seremos recebidos para estarmos para sempre contigo.
Fortalece a Tua igreja remanescente no cumprimento da missão. Que a nossa vida cotidiana seja uma testemunha viva da Tua graça e da urgência do Teu breve retorno. Guarda-nos fiéis até aquele glorioso dia em que os céus se abrirão e contemplaremos o Teu rosto. Em o nome santo, vitorioso e precioso de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, nós Te pedimos e Te agradecemos. Amém."
6. Documentação Acadêmica e Referencias
6.1 Aparato Exegético e Análise Lexical
A ancoragem da exposição homilética no texto bíblico em suas línguas originais preserva o rigor teológico e enriquece a pregação. A tabela a seguir detalha a análise lexical dos vocábulos gregos fundamentais analisados no texto crítico de João 14:1-3 (Nestle-Aland 28ª Edição / Textus Receptus):
- Referências Bíblicas Principais:
- Bíblia Sagrada: Tradução de João Ferreira de Almeida, Edição Corrigida Fiel (ACF). São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. Texto de João 14:1–3.
- Ferramentas Exegéticas e Léxicas:
- Novum Testamentum Graece (Nestle-Aland, 28ª edição). Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft.
- Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG). Chicago: University of Chicago Press.
- Strong’s Exhaustive Concordance of the Bible (Hebrew and Greek Dictionaries).
- Fontes Teológicas e Espirituais Adventistas:
- WHITE, Ellen G. A Ciência do Bom Viver. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013.
- Capítulo 1: "Nosso Exemplo" (pp. 10–16) — Princípios de amor fraternal, dignidade humana e serviço abnegado sem distinção de classes.
- Capítulo 4: "O Toque da Fé" (pp. 33–41) — Fé viva versus assentimento intelectual; a restauração da mulher com o fluxo de sangue.
- Capítulo 5: "A Cura da Alma" (pp. 42–54) — A narrativa do paralítico de Cafarnaum; o perdão dos pecados como requisito para a paz mental e cura física.
- Capítulo 7: "A Cooperação do Divino com o Humano" (pp. 68–77) — As promessas divinas descritas como "folhas da árvore da vida" (p. 76) com poder vitalizante.
- Capítulo 9: "Ensinando e Curando" (pp. 90–106) — A obra médico-missionária como pioneira da proclamação do evangelho e método de Cristo.
- Capítulo 18: "A Cura Mental" (pp. 168–183) — Princípios de restauração psicológica, repouso mental e serenidade fundados nas promessas divinas.
- WHITE, Ellen G. Conselhos para a Igreja. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira (Citação histórica de p. 316 / Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 162 sobre a condução de Deus no passado).
- Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia (SDA Bible Commentary), v. 5. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira (Exegese de João 14).
- Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.
- Nisto Cremos: As 28 Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira (Doutrinas da Segunda Vinda de Cristo, do Santuário Celestial e da Igreja Remanescente).



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